Sexta-feira, 20.01.12

 

ok_cc3O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins, disse hoje que as agências de notação financeira têm sido mais parte do problema do que da solução na crise atual.

“Neste momento, as agências de notação financeira têm feito mais parte do problema do que da solução. Devo dizer que houve um julgamento negativo na semana passada em relação ao último Conselho Europeu, muito mais do que relativamente à ação de países como Portugal e Irlanda, que têm feito o seu trabalho”, considerou o presidente do Tribunal de Contas.

O antigo ministro das Finanças, em resposta a uma questão sobre a atuação das agências, à margem das Conferências do Palácio da Bolsa, no Porto, lembrou que “não há nada pior do que reagir a quente relativamente a essas situações”.

 

Digo eu: as agências de notação financeira não são mais do que paus-mandados das sanguessugas dos lobies, dos senhores ditos todo-poderosos e das ditas potências económicas (EUA). Se os EUA têm uma percentagem de dívida superior aos paises (atacados) da uniaõ europeia, por que será que não baixam também para lixo o seu rating? Fica a pergunta...

 



publicado por Po(d/b)re da Sociedade às 15:00 | link do post | comentar | partilhar | favorito

Segunda-feira, 16.01.12

 

Comentário esclarecedor à descida de rating europeia,...

Petter Schiff, economista americano destaca como principais ideias o seguinte:

- A ironia que é, os investidores estarem preocupados com a dívida europeia da zona euro e ao mesmo tempo refugiarem-se na dívida americana, como suposta segurança.
- O fato é que os EUA devem mais que a a Eurozona.
- A Eurozona tem melhor capacidade de pagamento das dívidas que os EUA.
- Ainda existem vários países na zona euro com rating semelhante ou até de qualidade superior aos EUA.
- Os fundamentos económicos na verdade nem justificam os EUA a um nível do rating similar ao de França nem da Áustria.
- A realidade dos fundamentos da economia americana, está mais próxima dos PIGS, olhando para os números oficiais dos EUA e excluindo das contas uma série de despesas não contabilizadas oficiailmente e de retorno duvidoso.
- A análise está apenas a ser vista pela ponta do iceberg, se verificar para um conjunto de obrigações existentes, nas áreas da previdência social, aaúde, e gastos estaduais, a qualidade da dívida americana dos EUA já é idêntica ou até superior à Grécia.
- A dívida na Europa está mais focada nos governos centrais e menos nas regiões, ao contrário das pesadas dívidas que existem nos estados americanos.
- Com este retrato, as taxas de juro praticadas em alguns países europeus são injustamente financiadas a um preço mais alto comparado com as taxas de financiamento americanas.
- Os investidores compram o dólar como ativo de refúgio, e criam a ilusão que a performance americana está melhor que a da zona euro, e só está a acontecer realmente esta realidade, porque os investidores fogem à turbulência da zona euro.
- O que aconteceria à economia americana se fosse obrigada a comportar os juros como Espanha ou Itália? A economia americana implodia, encontra-se por agora tudo calmo, mas pode acontecer eventualmente essa subida de juros.
- Nos EUA, o presidente Obama, continua a querer aumentar os limites à dívida. Os EUA já nem se preocupam com o défice da sua balança comercial, e os números mostram que a economia americana está a tornar-se mais fraca. Uma economia não deve ser baseada naquilo que se gasta, no que se consome, mas sim naquilo que se produz. Os americanos estão a importar o que não produzem e a pedir emprestado para pagar essas mesmas importações.
- Quem ainda empresta esse dinheiro pensa que há capacidade para pagar, que os EUA são solventes, mas já houve a bolha na bolsa, no imobiliário e agora existe na dívida pública americana e no dólar.
- Até quanto tempo poderão os EUA aguentar esta situação?
- Poderá haver muitas catastrofes económicas a caminho dos EUA.
- Existe a crença e a desculpa no modelo Kenysiano, que o que é necessário é gastos e crescimento económico para ter uma economia forte, mas se os EUA fossem assim tão fortes não estariam inundados em importações e empréstimos, e estariam sim a produzir e a exportar.
- A economia americana está pior que em 2008, mas continua a haver opiniões gerais, e despreocupações do governo e do FED americano, em que não existem quaisquer problemas no horizonte, e quem alerta é completamente ignorado, e os que estão errados continuam a ser ouvidos.
- Há muitas manobras de vendas nos mercados a acontecer contra os fundamentais e uma aposta estranha no dólar e obrigações de tesouro americanas.
 


publicado por Po(d/b)re da Sociedade às 13:56 | link do post | comentar | partilhar | favorito

Segunda-feira, 12.12.11

Este economista americano se não falasse "tão mal" dos EUA, provavelmente teria direito a um nobel da economia, preveu as 3 bolhas, acções (intenet), imobiliária e a dívida pública.
O que Krugman e Roubin não falam, para eles só a Europa está mal.

Por Peter Schiff,
Com a bomba fiscal já armada e com seu cronómetro no final da contagem regressiva tanto na Europa quanto nos EUA, a pergunta mais pertinente a ser feita no momento é: qual vai explodir primeiro?
Durante boa parte dos últimos meses, parecia que a Europa estava prestes a ir pelos ares. Porém, a recente postura adotada por Angela Merkel, de recusar-se a apoiar um pacote de socorro aos países endividados — pacote esse que se resumia a mera impressão de euros pelo Banco Central Europeu, exatamente como vem fazendo o Federal Reserve —, bem como sua recente declaração de que ela não possuía nenhuma bazuca fiscal — ao estilo do que fez o Tesouro americano ainda sob o comando de Hank Paulson —, parecem ter retardado um pouco o cronómetro da bomba europeia.
Por outro lado, o total fracasso do Super Comité criado pelo Congresso dos EUA para decidir como seria feito o equilíbrio do orçamento do governo americano — se por meio de cortes de gastos, ou de aumento de impostos ou de uma combinação de ambos — estimulou ainda mais a constatação de que o cronómetro da bomba americana está muito mais avançado.
A chanceler Merkel foi enfática ao dizer que os políticos europeus não podem ganhar uma muleta monetária similar àquela que o Banco Central americano (o Fed) concedeu aos políticos americanos. Seu louvável objetivo, obviamente escarnecido pelos editoriais do The New York Times, é desativar a bomba da dívida europeia por meio de substanciais reformas nos orçamentos governamentais — e, como resultado, fazer do euro "a mais forte moeda do mundo".
Fez-se muito alarido a respeito do baixo volume de compras de títulos alemães no leilão da quarta-feira passada, com algumas pessoas dizendo que a baixa demanda (o que elevou os juros dos títulos alemães de 10 anos para mais de 2% — dificilmente um indicador de que os investidores estão se
desfazendo deles em pânico) é uma evidência de que os investidores estão preocupados com as políticas económicas de Merkel. Eu diria que é exatamente o oposto: muitos investidores ainda creem que Merkel está em bluff, e que a Alemanha acabará cedendo à pressão e estimulando o BCE a imprimir dinheiro, exatamente como estão fazendo os outros bancos centrais.
Provavelmente foi por este motivo que os juros sobre a dívida alemã subiram modestamente.
Em contraste a tudo isso, os EUA já deixaram cristalina sua intenção de ignorar os problemas de sua dívida.
Com o fracasso do Super Comité na semana passada, tal postura se tornou oficial. Os políticos americanos não irão, sob nenhuma circunstância, confrontar de maneira sincera a crise da dívida do país. Embora o resultado nulo do Super Comité não devesse ter gerado nenhuma surpresa, a total disfunção apresentada deveria servir de alerta final para todos aqueles que, movidos pelo desespero, ainda nutrem alguma ilusão. Alguns membros do Congresso americano, como o senador John McCain, já até mesmo se pronunciaram contra o corte automático de US$ 1,2 trilhão que começará a ser
feito a conta-gotas a partir de janeiro de 2013. Pode ter a certeza de que cada vez mais políticos, de ambos os partidos, também irão se pronunciar
contra.
Ao longo da próxima década, o governo americano espera gastar mais de US$ 40 trilhões de dólares. Mesmo que esse corte de US$ 1,2 trilhão de
fato se materialize, tal quantia equivale a apenas 3% das despesas previstas. Por causa de uma brilhante, porém hipócrita, manobra de contabilidade, US$ 216 bilhões destes "cortes" propostos representam meramente reduções esperadas nos gastos com o pagamento de juros da dívida, reduções estas que, por sua vez, seriam resultado de cortes de US$ 984 bilhões no orçamento — daí o total de US$ 1,2 trilhão.
É claro que, mesmo que tudo ocorra como maravilhosamente previsto, esses cortes sequer farão cócegas nos déficits orçamentários já projetados, os quais, se a história por nos servir de parâmetro, provavelmente subirão acentuadamente à medida que a realidade económica for se comprovando bem
mais sombria do que previram as estatísticas do governo americano. Por último, vale também mencionar que os cortes de gastos não representam cortes no sentido comum da palavra, na qual o gasto é realmente reduzido. No linguajar governamental, "cortes" são meras reduções na linha de referência, o que significa que os gastos do governo irão aumentar um pouco menos do que havia sido inicialmente programado.
Enquanto isso, a possibilidade de um calote soberano na Europa está estimulando a demanda mundial por dólares, o qual, apesar de tudo, ainda continua sendo visto como um "porto seguro". Portanto, contrariamente ao que dizem os políticos, sempre ansiosos para inventarem desculpas, os problemas da Europa estão na realidade fornecendo um estímulo temporário às bolhas formadas na economia americana. No entanto, uma deliberação
para a crise na Europa poderia reverter essa tendência. E considerando-se a disciplina que vem sendo emanada de Berlin, uma genuína solução não está totalmente fora de questão. Se a confiança puder ser restaurada por lá, cada nova rodada de fuga temporária de investidores em busca de algum porto seguro poderá estar cada vez menos centrada no dólar americano. Em vez do dólar, investidores avessos ao risco podem preferir uma cesta de outras moedas mais fiscalmente sustentáveis e que gerem maiores retornos.
A ironia é que a Europa está sendo criticada justamente por não estar seguindo o exemplo americano. Essa crítica é inapropriada porque parte do princípio de que as políticas adotadas pelos EUA funcionaram. Só que elas não funcionaram. No máximo, elas postergaram a explosão da bomba, mas fizeram isso de tal forma que, quando a explosão vier, será ainda mais destruidora. Enquanto isso não ocorre, todos seguem interpretando erroneamente a situação, confundindo adiamento com sucesso.
Todavia, se a abordagem mais linha-dura de Merkel funcionar, e cortes reais forem feitos, a Europa será elogiada por seu pioneirismo em seguir um caminho diferente e ousado. Como consequência, o euro poderá se valorizar e o dólar, afundar. Nos EUA, os preços das commodities irão subir, elevando ainda mais os índices de inflação de preços e, consequentemente, as taxas de juros.
Qualquer reversão significativa na atual tendência de valorização do dólar poderá fornecer um estímulo para que aqueles países que possuem enormes
reservas em dólares diversifiquem essas suas reservas internacionais em outras moedas. Meu palpite é que Merkel compreende bem a grande vantagem que os EUA desfrutaram em decorrência do fato de ser o emissor da moeda de reserva mundial.
Creio que ela esteja cobiçando esse prémio para a Europa, e, baseando-se em sua estratégia, trata-se de um objetivo claramente dentro de seu alcance. Há um velho ditado que diz que uma pessoa só passa a dar valor ao que tem após ter perdido tudo. A insensatez criminosa que reina hoje em Washington pode finalmente forçar o resto do mundo a cancelar o privilégio concedido aos EUA de ser o detentor da moeda internacional de reserva. Tal perda poderá fazer com que os americanos finalmente passem a valorizar profundamente este conceito — e amargar a situação que seu próprio governo criou para eles.

 



publicado por Po(d/b)re da Sociedade às 08:19 | link do post | comentar | partilhar | favorito

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