Terça-feira, 28.02.12

Nicolau Santos, na sua habitual coluna do semanário "Expresso", desnudava a alma, com estes termos: "Sr primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes". Também eu, senhor Primeiro-Ministro. Só me apetece rugir!...

O que o Senhor fez, foi um Roubo! Um Roubo descarado à classe média, no alto da sua impunidade política! Por isso, um duplo roubo: pelo crime em si e pela indecorosa impunidade de que se revestiu. E, ainda pior: Vossa Excelência matou o País!

Invoca Sua Sumidade, que as medidas são suas, mas o déficite é do Sócrates! Só os tolos caem na esparrela desse argumento. O déficite já vem do tempo de Cavaco Silva, quando, como bom aluno que foi, nos anos 80, a mando dos donos da Europa, decidiu, a troco de 700 milhões de contos anuais, acabar com as Pescas, a Agricultura e a Industria. Farisaicamente, Bruxelas pagava então, aos pescadores para não pescarem,  e aos agricultores para não cultivarem. O resultado, foi uma total dependência alimentar, uma decadência industrial e investimentos faraónicos no cimento e no alcatrão. Bens não transaccionáveis, que significaram o êxodo rural para o litoral, corrupção larvar e uma classe de novos muitíssimo-ricos. Toda esta tragédia, que mergulhou um País numa espiral deficitária, acabou, fragorosamente, com Sócrates. O déficite é de toda esta gente, que hoje vive gozando as delícias das suas malfeitorias. E você é o herdeiro e o filho predilecto de todos estes que você, agora, hipocritamente, quer pôr no banco dos réus?

Mas o Senhor também é responsável por esta crise. Tem as suas asas crivadas pelo chumbo da sua própria espingarda. Porque deitou abaixo o PEC4, de má memória, dando asas aos abutres financeiros para inflacionarem a dívida para valores insuportáveis e porque invocou como motivo para tal chumbo, o carácter excessivo dessas medidas. Prometeu, entretanto, não subir os impostos. Depois, já no poder, anunciou como excepcional, o corte no subsídio de Natal. Agora, isto! Ou seja, de mentira em mentira, até a este colossal embuste, que é o Orçamento Geral do Estado.

Diz Vossa Eminência que não tinha outra saída. Ou seja, todas as soluções passam pelo ataque ao Trabalho e pela defesa do Capital Financeiro. Outro embuste. Já se sabia no que resultaram estas mesmas medidas na Grécia: no desemprego, na recessão e num déficite ainda maior. Pois o senhor, incauto e ignorante, não se importou de importar tão assassina cartilha. Sem Economia, não há Finanças, deveria saber o Senhor. Com ainda menos Economia (a recessão atingirá valores perto do 5% em 2012), com muito mais falências e com o desemprego a atingir o colossal valor de 20%, onde vai Sua Sabedoria buscar receitas para corrigir o déficite? Com a banca descapitalizada (para onde foram os biliões do BPN?), como traçará linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, responsáveis por 90% do desemprego?

O Senhor burlou-nos e espoliou-nos. Teve a admirável coragem de sacar aos indefesos dos trabalhadores, com a esfarrapada desculpa de não ter outra hipótese. E há tantas! Dou-lhe um exemplo: o Metro do Porto. Tem um prejuízo de 3.500 milhões de euros, é todo à superfície e tem uma oferta 400 vezes!!! superior à procura. Tudo alinhavado à medida de uns tantos autarcas, embandeirados por Valentim Loureiro. Outro exemplo: as parcerias publico-privadas, grande sugadouro das finanças públicas. Outro exemplo: Dizem os estudos que, se V.Exa cortasse na mesma percentagem, os rendimentos das 10 maiores fortunas de Portugal, ficaríamos aliviadinhos de todo, desta canga deficitária. Até porque foram elas, as grandes beneficiárias desta orgia grega que nos tramou. Estaria horas, a desfiar exemplos e Você não gastou um minuto em pensar em deslocar-se a Bruxelas, para dilatar no tempo, as gravosas medidas que anunciou, para Salvar Portugal!

Diz Boaventura de Sousa Santos que o Senhor Primeiro-Ministro é um homem sem experiência, sem ideias e sem substrato académico para tais andanças. Concordo! Como não sabe, pretende ser um bom aluno dos mandantes da Europa, esperando deles, compreensão e consideração. Genuina ingenuidade! Com tudo isto, passou de bom aluno, para lacaio da senhora Merkel e do senhor Sarkhozy, quando precisávamos, não de um bom aluno, mas de um Mestre, de um Líder, com uma Ideia e um Projecto para Portugal. O Senhor, ao desistir da Economia, desistiu de Portugal! Foi o coveiro da nossa independência. Hoje, é, apenas, o Gauleiter de Berlim.

Demita-se, senhor primeiro-ministro, antes que seja o Povo a demiti-lo.



publicado por Po(d/b)re da Sociedade às 15:51 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar | favorito

Terça-feira, 20.12.11

De acordo com o jornal Público a CP terá tentado vender o comboio histórico de via estreita estacionado na Régua, mas a Federação Europeia das Associações de Caminhos-de-Ferro Turísticos (Fedecrail) boicotou essa tentativa, apelando aos museus que renunciassem à compra, mesmo se interessados.
 "Essa proposta pareceu-nos escandalosa, porque o material em via métrica português é raro e é uma composição que está em bom estado", disse ao Público Jacques Daffis, vice-presidente da Fedecrail, que informou o Museu Nacional Ferroviário português, que por sua vez desconhecia em absoluto  esta tentativa de venda por parte da CP.
"O que é incrível é que a CP tenha proposto a sua venda sem informar previamente o museu português", disse, explicando que a posição da Fedecrail é de que o património deste tipo só deve ser vendido ao estrangeiro "se não houver nenhuma possibilidade de preservação no país de origem e/ou se estiver em perigo".

A tentativa de venda partiu da CP Frota, e data de 09 de Novembro num mail informal enviado  para museus ferroviários europeus, onde se pedia que fossem os mesmos a adiantar a proposta de preço!
A porta-voz da CP, ao ser contactada, explicou que se trata de um comboio que está em condições
operacionais (em 2005 ainda circulou na Linha do Corgo), mas que não tem agora utilização possível em Portugal, com o fim anunciado da Linha do Vouga, que é a última linha de via estreita em funcionamento no país. "Podendo haver interesse por alguma companhia ferroviária na sua colocação ao serviço para fins turísticos, a CP fez uma primeira auscultação do mercado para verificar a existência de eventuais interessados", disse a mesma fonte.
A CP mantém, por isso, o interesse na venda, mas admite agora que "será dada preferência ao Museu Nacional Ferroviário, caso este tenha disponibilidade" para o comprar". Esta posição oficial da CP causou estranheza a Júlio Arroja, presidente da Fundação do Museu Nacional Ferroviário, que tinha pedido à CP para que houvesse uma "cedência" (e não uma venda) daquele material circulante ao museu.
"Foi feito um pedido à administração da CP e creio que o assunto está bem encaminhado", disse ao Público.

O comboio histórico de via estreita em causa é composto por uma locomotiva a vapor fabricada na Alemanha em 1923 e enviada para Portugal a título de indemnização da I Grande Guerra. Esta máquina prestou serviço em praticamente todas as linhas de via estreita do país e está ainda operacional.
A composição pode também ser rebocada por uma locomotiva a diesel de 1964, fabricada em Espanha, e comprada pela CP em segunda mão nos anos setenta. Além de um furgão em madeira de 1925 e de um vagão-cisterna, a composição inclui uma carruagem de origem belga de 1908, outra fabricada na Alemanha em 1925 e ainda uma outra construída pelos então Caminhos de Ferro do Estado, nas oficinas do Porto, em 1913.
O conjunto constitui um acervo único em Portugal e raro na Europa, que deve ser preservado, "de preferência no país de origem", refere Jacques Daffis, acrescenta a notícia do Público.

TAMBÉM CONDENO ESTA INICIATIVA DA CP. É UMA PURA ALIENAÇÃO DE PATRIMÓNIO HISTÓRICO E SIMBÓLICO (já que a locomotiva foi dada a Portugal como indeminização da I Guerra Mundial), PARA NÃO FALAR NO ASPETO DA RARIDADE DO CONJUNTO!

 



publicado por Po(d/b)re da Sociedade às 14:38 | link do post | comentar | partilhar | favorito

Sexta-feira, 09.12.11

A União dos Sindicatos de Castelo Branco (USCB) diz que a promulgação da legislação do governo que introduz as portagens na A23, A24 e A25, é “mais um acto de pura hipocrisia e de puro cinismo” de um Presidente que “diz uma coisa e faz outra completamente ao contrário”. 

Segundo um comunicado da USCB, “depois de Salazar e Caetano, Cavaco Silva foi o pior que aconteceu a Portugal”. Com a aprovação das portagens, “Cavaco Silva dá a sua mão ao PSD e ao CDS-PP para aplicarem o golpe final ao Interior do País e todos juntos assumem-se como os coveiros da nossa região”. Para a União dos Sindicatos de Castelo Branco “as portagens são inaceitáveis sejam elas de cor vermelha, rosa ou laranja e a luta contra as injustiças sociais e contra a destruição do distrito não irá parar, seja qual for a cor partidária do governo ou do presidente da república”.

Com acções próprias ou integrados nas acções das comissões de utentes, a União dos Sindicatos vai também estar na linha da frente, porque tem a convicção que “é mais fácil tirar as portagens que colocá-las”. Neste sentido, a comissão executiva da USCB apela "à população, aos trabalhadores, às associações empresariais e às comissões de utentes, incluindo à dos “Empresários Pela Subsistência” para a realização de uma acção contra mais este crime ao interior que seja mais avançada, mais enérgica, mais corajosa na forma e mais forte, mais abrangente e mais convergente na participação".

“Com a unidade, com a convergência e com a luta, as portagens serão derrotadas” refere, em comunicado, a União dos Sindicatos do distrito de Castelo Branco.

 



publicado por Po(d/b)re da Sociedade às 15:15 | link do post | comentar | partilhar | favorito

Este Blog é um espaço de apresentação/identificação dos podres/pobres da sociedade onde vivemos, onde a dignidade já há muito se perdeu e o estado civil se sobrepõe ao estado social. Não é um espaço reacionário mas sim... de indignação!!!
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