Terça-feira, 28.02.12

Nicolau Santos, na sua habitual coluna do semanário "Expresso", desnudava a alma, com estes termos: "Sr primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes". Também eu, senhor Primeiro-Ministro. Só me apetece rugir!...

O que o Senhor fez, foi um Roubo! Um Roubo descarado à classe média, no alto da sua impunidade política! Por isso, um duplo roubo: pelo crime em si e pela indecorosa impunidade de que se revestiu. E, ainda pior: Vossa Excelência matou o País!

Invoca Sua Sumidade, que as medidas são suas, mas o déficite é do Sócrates! Só os tolos caem na esparrela desse argumento. O déficite já vem do tempo de Cavaco Silva, quando, como bom aluno que foi, nos anos 80, a mando dos donos da Europa, decidiu, a troco de 700 milhões de contos anuais, acabar com as Pescas, a Agricultura e a Industria. Farisaicamente, Bruxelas pagava então, aos pescadores para não pescarem,  e aos agricultores para não cultivarem. O resultado, foi uma total dependência alimentar, uma decadência industrial e investimentos faraónicos no cimento e no alcatrão. Bens não transaccionáveis, que significaram o êxodo rural para o litoral, corrupção larvar e uma classe de novos muitíssimo-ricos. Toda esta tragédia, que mergulhou um País numa espiral deficitária, acabou, fragorosamente, com Sócrates. O déficite é de toda esta gente, que hoje vive gozando as delícias das suas malfeitorias. E você é o herdeiro e o filho predilecto de todos estes que você, agora, hipocritamente, quer pôr no banco dos réus?

Mas o Senhor também é responsável por esta crise. Tem as suas asas crivadas pelo chumbo da sua própria espingarda. Porque deitou abaixo o PEC4, de má memória, dando asas aos abutres financeiros para inflacionarem a dívida para valores insuportáveis e porque invocou como motivo para tal chumbo, o carácter excessivo dessas medidas. Prometeu, entretanto, não subir os impostos. Depois, já no poder, anunciou como excepcional, o corte no subsídio de Natal. Agora, isto! Ou seja, de mentira em mentira, até a este colossal embuste, que é o Orçamento Geral do Estado.

Diz Vossa Eminência que não tinha outra saída. Ou seja, todas as soluções passam pelo ataque ao Trabalho e pela defesa do Capital Financeiro. Outro embuste. Já se sabia no que resultaram estas mesmas medidas na Grécia: no desemprego, na recessão e num déficite ainda maior. Pois o senhor, incauto e ignorante, não se importou de importar tão assassina cartilha. Sem Economia, não há Finanças, deveria saber o Senhor. Com ainda menos Economia (a recessão atingirá valores perto do 5% em 2012), com muito mais falências e com o desemprego a atingir o colossal valor de 20%, onde vai Sua Sabedoria buscar receitas para corrigir o déficite? Com a banca descapitalizada (para onde foram os biliões do BPN?), como traçará linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, responsáveis por 90% do desemprego?

O Senhor burlou-nos e espoliou-nos. Teve a admirável coragem de sacar aos indefesos dos trabalhadores, com a esfarrapada desculpa de não ter outra hipótese. E há tantas! Dou-lhe um exemplo: o Metro do Porto. Tem um prejuízo de 3.500 milhões de euros, é todo à superfície e tem uma oferta 400 vezes!!! superior à procura. Tudo alinhavado à medida de uns tantos autarcas, embandeirados por Valentim Loureiro. Outro exemplo: as parcerias publico-privadas, grande sugadouro das finanças públicas. Outro exemplo: Dizem os estudos que, se V.Exa cortasse na mesma percentagem, os rendimentos das 10 maiores fortunas de Portugal, ficaríamos aliviadinhos de todo, desta canga deficitária. Até porque foram elas, as grandes beneficiárias desta orgia grega que nos tramou. Estaria horas, a desfiar exemplos e Você não gastou um minuto em pensar em deslocar-se a Bruxelas, para dilatar no tempo, as gravosas medidas que anunciou, para Salvar Portugal!

Diz Boaventura de Sousa Santos que o Senhor Primeiro-Ministro é um homem sem experiência, sem ideias e sem substrato académico para tais andanças. Concordo! Como não sabe, pretende ser um bom aluno dos mandantes da Europa, esperando deles, compreensão e consideração. Genuina ingenuidade! Com tudo isto, passou de bom aluno, para lacaio da senhora Merkel e do senhor Sarkhozy, quando precisávamos, não de um bom aluno, mas de um Mestre, de um Líder, com uma Ideia e um Projecto para Portugal. O Senhor, ao desistir da Economia, desistiu de Portugal! Foi o coveiro da nossa independência. Hoje, é, apenas, o Gauleiter de Berlim.

Demita-se, senhor primeiro-ministro, antes que seja o Povo a demiti-lo.



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Segunda-feira, 20.02.12

Senhor Presidente
Há muito muito tempo, nos dias depois que Abril floriu e a Europa se abriu de par em par, foi V.Exa por mandato popular encarregue de nos fazer fruir dessa Europa do Mercado Comum, clube dos ricos a que iludidos aderimos, fiados no dinheiro fácil do FEDER, do FEOGA, das ajudas de coesão e mais liberalidades que, pouco acostumados,  aceitámos de olhar reluzente, estranhando como fácil e rápido era passar de rincão estagnado e órfão do Império para a mesa dos poderosos que, qual varinha mágica, nos multiplicariam as estradas, aumentariam os direitos, facilitariam o crédito e conduziriam ao Olimpo até aí inatingível do mundo desenvolvido. Havia pequenos senãos, arrancar  vinhas, abater barcos, não empatar quem produzisse tomate em Itália ou conservas em Marrocos, coisa pouca e necessária por via da previdente PAC, mas, estando o cheque passado e com cobertura, de inauguração em inauguração, o país antes incrédulo, crescia, dava formação a jovens, animava a construção civil , os resorts de Punta Cana e os  veículos topo de gama do momento. Do alto do púlpito que fora do velho Botas, V.Exa passaria à História como o Modernizador, campeão do empreendedorismo, símbolo da devoção à causa pública, estóico servidor do povo a partir da marquise esconsa da casa da Rua do Possôlo. Era o aplicado aluno de Bruxelas, o exemplo a seguir no Mediterrâneo, o desbravador do progresso, com o mapa de estradas do ACP permanentemente desactualizado. O tecido empresarial crescia, com pés de barro e frágeis sapatas, mas que interessava, havia  pão e circo, CCB e Expo, pontes e viadutos, Fundo Social Europeu e tudo o que mais se quisesse imaginar, à sombra de  bafejados oásis  de leite e mel,  Continentes e Amoreiras, e mais catedrais escancaradas com um simples cartão Visa.
Ao fim de dez anos, um pouco mais que o Criador ao fim de sete, vendo a Obra pronta, V.Exa descansou, e retirou-se. Tentou Belém, mas ingrato, o povo condenou-o a anos no deserto, enquanto aprendizes prosseguiam a sanha fontista e inebriante erguida atrás dos cantos de sereia, apelando ao esbanjamento e luxúria.
No início do novo século, preocupantes sinais do Purgatório indicaram fragilidades na Obra, mas  jorrando fundos e verbas, coisa de temerários do Restelo  se lhe chamou. À porta estava o novo bezerro de ouro, o euro, a moeda dos fortes, e fortes agora com ela seguiríamos, poderosos, iguais. Do retiro tranquilo, à sombra da modesta reforma de servidor do Estado, livros e loas  emulando as virtudes do novo filão foram por V.Exa endossados , qual pitonisa dos futuros que cantam, sob o euro sem nódoa, moeda de fortes e milagreiro caminho para o glorioso domínio da Europa. Migalha a migalha, bitaite a bitaite, foi V.Exa pacientemente cozendo o seu novelo, até que, uma bela manhã de nevoeiro, do púlpito do CCB, filho da dilecta obra, anunciou aos atarantados povos estar de volta, pronto a servir. Não que as gentes o merecessem, mas o país reclamava seriedade, contenção, morgados do Algarve em vez de ostras socialistas. Seria o supremo trono agora, com os guisados da Maria e o apoio de esforçados amigos que, fruto de muito suor e trabalho, haviam vingado no exigente mundo dos negócios, em prol do progresso e do desenvolvimento do país.
Salivando o povo à passagem do Mestre, regressado dos mortos, sem escolhos o conduziram a Belém, onde petiscando umas pataniscas e bolo-rei sem fava, presidiria, qual reitor, às traquinices  dos pupilos, por veladas e paternais  palavras ameaçando reguadas ou castigos contra a parede. E não contentes, o repetiram segunda vez, e V. Exa, com pungente sacrifício lá continuou aquilíneo cônsul da república, perorando homilias nos dias da pátria e avisando ameaçador contra os perigos e tormentas que os irrequietos alunos não logravam conter. Que  preciso era voltar à terra e ao arado, à faina e à vindima, vaticinou V.Exa, coveiro das hortas e traineiras; que chegava de obras faraónicas, alertou, qual faraó de Boliqueime e campeão do betão;  que chegava de sacrifícios, estando uns ao leme, para logo aconselhar conformismo e paciência mal mudou o piloto.
Eremita das fragas, paroquial chefe de família, personagem de Camilo e Agustina, desprezando os políticos profissionais mas esquecendo que por junto é o profissional da política há mais anos no poder, preside hoje V.Exa ao país ingrato que, em vinte anos, qual bruxedo ou mau olhado, lhe destruiu a obra feita, como vil criatura que desperta do covil se virou contra o criador, hoje apenas pálida esfinge, arrastando-se entre a solidão de Belém e prosaicas cerimónias com bombeiros e ranchos.
Trinta anos, leva em cena a peça de V.Exa no palco da política, com grandes enchentes no início e grupos arregimentados e idosos na actualidade. Mas, chegando ao fim o terceiro acto, longe da epopeia em que o Bem vence o Mal e todos ficam felizes para sempre, tema V.Exa pelo juízo da História, que, caridosa, talvez em duas linhas de rodapé recorde um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas, que durante uns anos pairou como Midas multiplicador e hoje mais não é que um aflito Hamlet nas muralhas de Elsinore, transformado que foi o ouro do bezerro em serradura e  sobrevivendo pusilâmine como cinzento Chefe do estado a que isto chegou, não obstante a convicção, que acredito tenha, de ter feito o seu melhor.
Respeitoso e Suburbano,  devidamente autorizado pela Sacrossanta Troika

António Maria dos Santos
Sobrevivente (ainda) do Cataclismo de 2011



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Quarta-feira, 08.02.12

 

ok_cc3A chanceler alemã, Angela Merkel, deu hoje a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, sublinhando que naquela região autónoma estas verbas “serviram para construir túneis e autoestradas, mas não para aumentar a competitividade”.

Na opinião de Merkel, os referidos fundos devem servir para apoiar financeiramente as pequenas e médias empresas, por exemplo, como ficou decidido
no recente Conselho Europeu, em Bruxelas, e não mais para construir estradas, pontes e túneis, como sucedeu, na sua opinião, naquela região autónoma portuguesa.

“Quem já esteve na Madeira, deve ter ficado convencido que os fundos estruturais europeus foram bem aplicados na construção de muitos túneis e
autoestradas, mas isso não conduziu a que haja mais competitividade”, observou a chefe do governo alemão, numa palestra proferida perante alunos, na Bela Foundation, em Berlim, noticiada esta noite pela RTP.

 



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Sexta-feira, 20.01.12

 

ok_cc3O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins, disse hoje que as agências de notação financeira têm sido mais parte do problema do que da solução na crise atual.

“Neste momento, as agências de notação financeira têm feito mais parte do problema do que da solução. Devo dizer que houve um julgamento negativo na semana passada em relação ao último Conselho Europeu, muito mais do que relativamente à ação de países como Portugal e Irlanda, que têm feito o seu trabalho”, considerou o presidente do Tribunal de Contas.

O antigo ministro das Finanças, em resposta a uma questão sobre a atuação das agências, à margem das Conferências do Palácio da Bolsa, no Porto, lembrou que “não há nada pior do que reagir a quente relativamente a essas situações”.

 

Digo eu: as agências de notação financeira não são mais do que paus-mandados das sanguessugas dos lobies, dos senhores ditos todo-poderosos e das ditas potências económicas (EUA). Se os EUA têm uma percentagem de dívida superior aos paises (atacados) da uniaõ europeia, por que será que não baixam também para lixo o seu rating? Fica a pergunta...

 



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Segunda-feira, 16.01.12

 

Comentário esclarecedor à descida de rating europeia,...

Petter Schiff, economista americano destaca como principais ideias o seguinte:

- A ironia que é, os investidores estarem preocupados com a dívida europeia da zona euro e ao mesmo tempo refugiarem-se na dívida americana, como suposta segurança.
- O fato é que os EUA devem mais que a a Eurozona.
- A Eurozona tem melhor capacidade de pagamento das dívidas que os EUA.
- Ainda existem vários países na zona euro com rating semelhante ou até de qualidade superior aos EUA.
- Os fundamentos económicos na verdade nem justificam os EUA a um nível do rating similar ao de França nem da Áustria.
- A realidade dos fundamentos da economia americana, está mais próxima dos PIGS, olhando para os números oficiais dos EUA e excluindo das contas uma série de despesas não contabilizadas oficiailmente e de retorno duvidoso.
- A análise está apenas a ser vista pela ponta do iceberg, se verificar para um conjunto de obrigações existentes, nas áreas da previdência social, aaúde, e gastos estaduais, a qualidade da dívida americana dos EUA já é idêntica ou até superior à Grécia.
- A dívida na Europa está mais focada nos governos centrais e menos nas regiões, ao contrário das pesadas dívidas que existem nos estados americanos.
- Com este retrato, as taxas de juro praticadas em alguns países europeus são injustamente financiadas a um preço mais alto comparado com as taxas de financiamento americanas.
- Os investidores compram o dólar como ativo de refúgio, e criam a ilusão que a performance americana está melhor que a da zona euro, e só está a acontecer realmente esta realidade, porque os investidores fogem à turbulência da zona euro.
- O que aconteceria à economia americana se fosse obrigada a comportar os juros como Espanha ou Itália? A economia americana implodia, encontra-se por agora tudo calmo, mas pode acontecer eventualmente essa subida de juros.
- Nos EUA, o presidente Obama, continua a querer aumentar os limites à dívida. Os EUA já nem se preocupam com o défice da sua balança comercial, e os números mostram que a economia americana está a tornar-se mais fraca. Uma economia não deve ser baseada naquilo que se gasta, no que se consome, mas sim naquilo que se produz. Os americanos estão a importar o que não produzem e a pedir emprestado para pagar essas mesmas importações.
- Quem ainda empresta esse dinheiro pensa que há capacidade para pagar, que os EUA são solventes, mas já houve a bolha na bolsa, no imobiliário e agora existe na dívida pública americana e no dólar.
- Até quanto tempo poderão os EUA aguentar esta situação?
- Poderá haver muitas catastrofes económicas a caminho dos EUA.
- Existe a crença e a desculpa no modelo Kenysiano, que o que é necessário é gastos e crescimento económico para ter uma economia forte, mas se os EUA fossem assim tão fortes não estariam inundados em importações e empréstimos, e estariam sim a produzir e a exportar.
- A economia americana está pior que em 2008, mas continua a haver opiniões gerais, e despreocupações do governo e do FED americano, em que não existem quaisquer problemas no horizonte, e quem alerta é completamente ignorado, e os que estão errados continuam a ser ouvidos.
- Há muitas manobras de vendas nos mercados a acontecer contra os fundamentais e uma aposta estranha no dólar e obrigações de tesouro americanas.
 


publicado por Po(d/b)re da Sociedade às 13:56 | link do post | comentar | partilhar | favorito

Quarta-feira, 04.01.12
 


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Terça-feira, 03.01.12
 
Portugal é o único país onde a austeridade exigiu mais aos mais ao pobres...

Entre os seis países da União Europeia mais afectados pela crise, Portugal é o único onde as medidas de austeridade exigiram um esforço financeiro aos pobres superior ao que foi pedido aos ricos, revela um estudo recente publicado pela Comissão Europeia.

Na comparação com Grécia, Estónia, Irlanda, Reino Unido e Espanha, Portugal é também o País que regista um dos maiores aumentos de risco de pobreza devido às medidas de consolidação orçamental adoptadas durante a crise, ultrapassando a barreira dos 20% da população em risco.


Leia mais em:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=529107&pn=1


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Quinta-feira, 15.12.11
Pedro Nuno Santos, vice-presidente do grupo parlamentar do PS, defende que Portugal deve ameaçar com a bomba atómica da suspensão do pagamento da dívida para obter, em troca, melhores condições de ajustamento. Carlos Zorrinho considera palavras algo excessivas , mas concorda como o seu vice.
“Estou marimbando-me para os bancos alemães que nos emprestaram dinheiro nas condições em que nos emprestaram. Estou marimbando-me que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses. Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida” e se o fizermos “as pernas dos banqueiros alemães até tremem”.
O discurso inflamado de Pedro Nuno Santos (ao centro na imagem) foi feito no sábado, em Castelo de Paiva. Foi captado pela rádio local e esta manhã reproduzido pela Rádio Renascença.
Carlos Zorrinho, líder da bancada parlamentar socialista, concorda com o seu "número dois", dizendo que as declarações foram retiradas de contexto e devem ser lidas como um apelo a que a União Europeia faça acompanhar as políticas de austeridade de políticas de crescimento.
Em reacção esta manhã aos microfones da TSF, Zorrinho (na foto) admite que Pedro Nuno Santos pode ter usado uma linguagem e "imagética muito rica, talvez
excessiva" mas para dizer “duas coisas essenciais”: que o pagamento da dívida não pode ser feito à custa das pessoas e sem uma política de crescimento. Zorrinho diz ainda que, no Norte, "pôr-se fino" corresponde a "chamar a atenção" para uma situação que diz ser legítima.
“Obviamente que é preciso chamar a atenção que Portugal quer pagar a dívida, como quer a Grécia, a Irlanda, a Bélgica e a França, mas é preciso que haja uma política europeia de crescimento”.
Já esta manhã, à TSF, Pedro Nuno Santos veio precisar que não sugeriu que o país suspendesse o pagamento da dívida. "Eu não disse que não devemos pagar a dívida, o que eu disse é que há limites para os sacrifícios e que o Governo deve pôr o seu povo à frente".
O vice da bancada parlamentar socialista diz ainda que não reconhece qualquer excesso no que disse. “Nós vivemos uma crise existencial na
Europa. Não tempos de falinhas mansas. (...) Não me arrependo do que disse porque o que disse é o que eu quero continuar a dizer".
 

 



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Segunda-feira, 12.12.11

Este economista americano se não falasse "tão mal" dos EUA, provavelmente teria direito a um nobel da economia, preveu as 3 bolhas, acções (intenet), imobiliária e a dívida pública.
O que Krugman e Roubin não falam, para eles só a Europa está mal.

Por Peter Schiff,
Com a bomba fiscal já armada e com seu cronómetro no final da contagem regressiva tanto na Europa quanto nos EUA, a pergunta mais pertinente a ser feita no momento é: qual vai explodir primeiro?
Durante boa parte dos últimos meses, parecia que a Europa estava prestes a ir pelos ares. Porém, a recente postura adotada por Angela Merkel, de recusar-se a apoiar um pacote de socorro aos países endividados — pacote esse que se resumia a mera impressão de euros pelo Banco Central Europeu, exatamente como vem fazendo o Federal Reserve —, bem como sua recente declaração de que ela não possuía nenhuma bazuca fiscal — ao estilo do que fez o Tesouro americano ainda sob o comando de Hank Paulson —, parecem ter retardado um pouco o cronómetro da bomba europeia.
Por outro lado, o total fracasso do Super Comité criado pelo Congresso dos EUA para decidir como seria feito o equilíbrio do orçamento do governo americano — se por meio de cortes de gastos, ou de aumento de impostos ou de uma combinação de ambos — estimulou ainda mais a constatação de que o cronómetro da bomba americana está muito mais avançado.
A chanceler Merkel foi enfática ao dizer que os políticos europeus não podem ganhar uma muleta monetária similar àquela que o Banco Central americano (o Fed) concedeu aos políticos americanos. Seu louvável objetivo, obviamente escarnecido pelos editoriais do The New York Times, é desativar a bomba da dívida europeia por meio de substanciais reformas nos orçamentos governamentais — e, como resultado, fazer do euro "a mais forte moeda do mundo".
Fez-se muito alarido a respeito do baixo volume de compras de títulos alemães no leilão da quarta-feira passada, com algumas pessoas dizendo que a baixa demanda (o que elevou os juros dos títulos alemães de 10 anos para mais de 2% — dificilmente um indicador de que os investidores estão se
desfazendo deles em pânico) é uma evidência de que os investidores estão preocupados com as políticas económicas de Merkel. Eu diria que é exatamente o oposto: muitos investidores ainda creem que Merkel está em bluff, e que a Alemanha acabará cedendo à pressão e estimulando o BCE a imprimir dinheiro, exatamente como estão fazendo os outros bancos centrais.
Provavelmente foi por este motivo que os juros sobre a dívida alemã subiram modestamente.
Em contraste a tudo isso, os EUA já deixaram cristalina sua intenção de ignorar os problemas de sua dívida.
Com o fracasso do Super Comité na semana passada, tal postura se tornou oficial. Os políticos americanos não irão, sob nenhuma circunstância, confrontar de maneira sincera a crise da dívida do país. Embora o resultado nulo do Super Comité não devesse ter gerado nenhuma surpresa, a total disfunção apresentada deveria servir de alerta final para todos aqueles que, movidos pelo desespero, ainda nutrem alguma ilusão. Alguns membros do Congresso americano, como o senador John McCain, já até mesmo se pronunciaram contra o corte automático de US$ 1,2 trilhão que começará a ser
feito a conta-gotas a partir de janeiro de 2013. Pode ter a certeza de que cada vez mais políticos, de ambos os partidos, também irão se pronunciar
contra.
Ao longo da próxima década, o governo americano espera gastar mais de US$ 40 trilhões de dólares. Mesmo que esse corte de US$ 1,2 trilhão de
fato se materialize, tal quantia equivale a apenas 3% das despesas previstas. Por causa de uma brilhante, porém hipócrita, manobra de contabilidade, US$ 216 bilhões destes "cortes" propostos representam meramente reduções esperadas nos gastos com o pagamento de juros da dívida, reduções estas que, por sua vez, seriam resultado de cortes de US$ 984 bilhões no orçamento — daí o total de US$ 1,2 trilhão.
É claro que, mesmo que tudo ocorra como maravilhosamente previsto, esses cortes sequer farão cócegas nos déficits orçamentários já projetados, os quais, se a história por nos servir de parâmetro, provavelmente subirão acentuadamente à medida que a realidade económica for se comprovando bem
mais sombria do que previram as estatísticas do governo americano. Por último, vale também mencionar que os cortes de gastos não representam cortes no sentido comum da palavra, na qual o gasto é realmente reduzido. No linguajar governamental, "cortes" são meras reduções na linha de referência, o que significa que os gastos do governo irão aumentar um pouco menos do que havia sido inicialmente programado.
Enquanto isso, a possibilidade de um calote soberano na Europa está estimulando a demanda mundial por dólares, o qual, apesar de tudo, ainda continua sendo visto como um "porto seguro". Portanto, contrariamente ao que dizem os políticos, sempre ansiosos para inventarem desculpas, os problemas da Europa estão na realidade fornecendo um estímulo temporário às bolhas formadas na economia americana. No entanto, uma deliberação
para a crise na Europa poderia reverter essa tendência. E considerando-se a disciplina que vem sendo emanada de Berlin, uma genuína solução não está totalmente fora de questão. Se a confiança puder ser restaurada por lá, cada nova rodada de fuga temporária de investidores em busca de algum porto seguro poderá estar cada vez menos centrada no dólar americano. Em vez do dólar, investidores avessos ao risco podem preferir uma cesta de outras moedas mais fiscalmente sustentáveis e que gerem maiores retornos.
A ironia é que a Europa está sendo criticada justamente por não estar seguindo o exemplo americano. Essa crítica é inapropriada porque parte do princípio de que as políticas adotadas pelos EUA funcionaram. Só que elas não funcionaram. No máximo, elas postergaram a explosão da bomba, mas fizeram isso de tal forma que, quando a explosão vier, será ainda mais destruidora. Enquanto isso não ocorre, todos seguem interpretando erroneamente a situação, confundindo adiamento com sucesso.
Todavia, se a abordagem mais linha-dura de Merkel funcionar, e cortes reais forem feitos, a Europa será elogiada por seu pioneirismo em seguir um caminho diferente e ousado. Como consequência, o euro poderá se valorizar e o dólar, afundar. Nos EUA, os preços das commodities irão subir, elevando ainda mais os índices de inflação de preços e, consequentemente, as taxas de juros.
Qualquer reversão significativa na atual tendência de valorização do dólar poderá fornecer um estímulo para que aqueles países que possuem enormes
reservas em dólares diversifiquem essas suas reservas internacionais em outras moedas. Meu palpite é que Merkel compreende bem a grande vantagem que os EUA desfrutaram em decorrência do fato de ser o emissor da moeda de reserva mundial.
Creio que ela esteja cobiçando esse prémio para a Europa, e, baseando-se em sua estratégia, trata-se de um objetivo claramente dentro de seu alcance. Há um velho ditado que diz que uma pessoa só passa a dar valor ao que tem após ter perdido tudo. A insensatez criminosa que reina hoje em Washington pode finalmente forçar o resto do mundo a cancelar o privilégio concedido aos EUA de ser o detentor da moeda internacional de reserva. Tal perda poderá fazer com que os americanos finalmente passem a valorizar profundamente este conceito — e amargar a situação que seu próprio governo criou para eles.

 



publicado por Po(d/b)re da Sociedade às 08:19 | link do post | comentar | partilhar | favorito

Quarta-feira, 30.11.11
Um programa de rádio italiano falando sobre a revolução em andamento na Islândia é um exemplo impressionante do pouco que os meios de comunicaçãonos dizem sobre o resto do mundo. Os norte-americanos podem lembrar-se de que no início da crise financeira de 2008, a Islândia declarou-se literalmente em falência. As razões são citadas apenas superficialmente, e desde então, esse país pouco conhecido da Europa voltou a cair no esquecimento. Como os países europeus vão caindo um após o outro, colocando o euro em perigo, com repercussões para todo o mundo, a última coisa que os poderes desejam é que o caso da Islândia se transforme num exemplo. A seguir, eis porquê:
Cinco anos de um regime puramente neoliberal fizeram da Islândia (populaçãode 320 mil pessoas, sem exército), um dos países mais ricos do mundo. No anode 2003, todos os bancos do país foram privatizados e, num esforço para atrair investidores estrangeiros, oferecer  um empréstimos em linha, cujos custos mínimos lhes permitiram oferecer taxas relativamente altas de rendimentos. As contas, chamadas de “icesave”, atraíram muitos pequenos investidores ingleses e holandeses; mas, à medida que os investimentos cresceram, isso também aconteceu com a dívida dos bancos estrangeiros. Em 2003, a dívida da Islândia era igual a 200 vezes o seu PIB, mas em 2007 ela chegou a 900 vezes. A crise financeira mundial de 2008 foi o golpe de graça. Os três principais bancos islandeses, Landbanki, Kapthing e Glitnir, quebraram e foram nacionalizados, enquanto que a coroa islandesa perdeu 85% do seu valor em relação ao euro. No final do ano, a Islândia declarou-se falida.
Contrariamente ao que se poderia esperar, a crise deu lugar à recuperação dos direitos soberanos dos islandeses, através de um processo de democracia direta participativa, que finalmente conduziu a uma nova Constituição, mas depois de muita dor.
Geir Haarde, o Primeiro-Ministro de um governo de coligação social democrata, negociou 2,1 bilhões de dólares em empréstimos, aos quais os países nórdicos acrescentaram outros 2,5 bilhões. Contudo, a comunidade financeira estrangeira pressionava a Islândia para impor medidas drásticas. O FMI e a União Europeia queriam assumir o controle a sua dívida, alegando que era o único caminho para que o país pagasse seus débitos com a Holanda e a
Inglaterra, que tinham prometido reembolsar seus cidadãos.
Os protestos e os distúrbios continuaram e, finalmente, obrigaram o governo a renunciar. A eleições foram antecipadas para abril de 2009, resultando na vitória de uma coligação de esquerda que condenava o sistema económico neoliberal, mas que de imediato cedeu às demandas de que a Islândia deveria pagar de 3,5 bilhões de euros. Isso requereria que cada cidadão islandês pague 100 euros por mês (perto de 130 dólares) durante 15 anos, com 5.5% de juros, para pagar uma dívida contraída pelo setor privado. Foi a gota dágua.
O que aconteceu depois foi extraordinário. A crença de que os cidadãos tinham que pagar pelos erros de um monopólio financeiro e que a toda uma nação deveria impor-se o pagamento de dividas privadas se desmanchou, transformou-se a relação entre os cidadãos e suas instituições políticas e
finalmente conduziu os líderes da Islândia para o lado de seus eleitores. O chefe de estado, Olafur Ragnar Grimsson, negou-se a ratificar a lei que
fazia os cidadãos islandeses responsáveis pela sua dívida bancária, e chamou-os para um referendo.
Obviamente, a comunidade internacional só aumentou a pressão sobre a Islândia. A Grã-Bretanha e a Holanda ameaçaram com represálias terríveis e
isolar o país. Como os islandeses foram votar, os banqueiros estrangeiros ameaçaram bloquear qualquer ajuda do FMI. O governo britânico ameaçou
congelar as poupanças e as contas correntes islandesas. Como disse Grimsson, “nos disseram que se nos negássemos a aceitar as condições da comunidade internacional, nos transformariam na Cuba do Norte. Mas, se tivéssemos aceitado, nos teriam convertido no Haiti do Norte”. Os cubanos ao verem o estado lamentável do seu vizinho Haiti, podem considerar-se afortunados?
No referendo de março de 2010, 93% votou contra a devolução da dívida. O FMI imediatamente congelou seus empréstimos, mas a revolução (ainda que não tenha sido televisionada nos EUA) não se deixou intimidar. Com o apoio de uma cidadania furiosa, o governo iniciou investigações cíveis e criminais em relação aos responsáveis pela crise financeira. A Interpol emitiu uma ordem internacional de detenção para o ex-presidente de Kaupthing, Sigurdur Einarsson, assim como também para outros banqueiros implicados que fugiram do país.
Mas os islandeses não pararam aí: Decidiu-se redigir uma nova constituição que liberte o país do poder exagerado das finanças internacionais e do
dinheiro virtual (a que estava em vigor tinha sido escrita no momento em que a Islândia se tornou independente da Dinamarca, em 1918, e a única diferença com a constituição dinamarquesa era que a palavra presidente tinha sido substituída pela de “rei”.
Para escrever a nova constituição, o povo da Islândia elegeu vinte e cinco cidadãos entre 522 adultos que não pertenciam a nenhum partido político, masrecomendados por pelo menos trinta cidadãos. Esse documento não foi obra de um punhado de políticos, mas foi escrito na Internet. As reuniões dos constituintes foram transmitidas online, e os cidadãos podiam enviar seus comentários e sugestões vendo o documento, que ia tomando forma. A
Constituição que eventualmente surgirá desse processo democrático participativo será apresentada ao Parlamento para sua aprovação depois das
próximas eleições.
Alguns leitores lembrarão do colapso agrário da Islândia no século IX, que é citado no livro de Jared Diamond, com esse mesmo nome. Hoje em dia, esse país está se recuperando de seu colapso financeiro de formas em tudo contrárias às que eram consideradas inevitáveis, como já confirmou diretora do FMI, Chistine Lagarde, a Fared Zakrie. Ao povo da Grécia disseram que a privatização de seu setor público é a única solução. Os da
Itália, Espanha e nós Portugal enfrentamos a mesma ameaça.
Deveria olhar-se para a Islândia. Ao negar a submeter-se aos interesses estrangeiros, esse país indicou claramente que o povo é soberano.
É por isso que ele não aparece nos noticiários.
 


publicado por Po(d/b)re da Sociedade às 08:41 | link do post | comentar | partilhar | favorito

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